5.4.10

por uma arte e vida livre

padrões, conceitos e valores de vida alheios
foram adestrados e condicionados em nosso dia-a-dia
a estrutura cidade nos habitou e nos conduziu
de repente, nem sabemos quem somos ao olharmos no espelho
vemos rostos e manchas, seres fragmentados..

somos uma mistura de povos que tenta reproduzir padrões culturais enlatados, não-nossos, pois fomos todos colonizados, toda nossa cultura valores..
os modos de vida, as escolas, a arte, a arquitetura, a filosofia, as leis, a religião.. tudo chegou pronto e foi apresentado como correto, único, verdadeiro e bom..
e fomos fracos, concordamos e aceitamos sem críticas ou questionamentos..
toda nossa condição artística, cultural, intelectual e material
foi negada para alocar uma reprodução dos valores europeus e estadunidenses
fomos e continuamos sendo explorados..

os pequenos grupos de pseudo-intelectuais
estão preocupados com o que acontece e o que é produzido fora daqui
seja em arte, em filosofia, em tecnologia, moda ou estilos vida
poucos ou nenhum deles se importam com as carências e necessidades de nossa terra,
de onde nascemos e vivemos, mesmo sendo descendentes, miscigenados e multiétnicos..
assinam nossa sentença de primitivos culturalmente,
nos inferiorizando como incapacitados de criar valores e estética
e o que é criado de cultura de onde vivemos não é valorizado onde vivemos..
no passado não percebemos como esses mecanismos interferiram nas relações cotidianas,
mas hoje estamos começando a entender as histórias e os fatos

já é hora de lançar mão desses moldes de como deve ser feita a arte e a vida
e fazê-las ao nosso modo, criar nossos conceitos e valores próprios
deixar de fazer essa arte para exportação, alienada e submissa
começar a olhar para nós mesmos, para fazer a nossa arte
o que estamos sendo, pois não somos nada pronto


a criação artística é livre, sua linguagem e sua estética
não deve se submeter a nenhum tipo de ordem ou regra
ela se faz para ao povo que a cria e não para interesses de mercado

1 interpretação

Bia Cutia disse...

Viajei em muitas coisas lendo isso... Alienação é uma questão complicada. Penso que ela é tão profunda que é difícil perceber até onde vão as raízes. E a fragmentação aliena, coloca as pessoas distantes de qualquer coisa que seja completa e um conhecimento incompleto é um conhecimento alienado. Aprender a selecionar leva uma vida inteira e aí é tarde pra entender o que foi selecionado.

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